Na tentativa de trazer as coisas um pouco mais para a prática, tentarei dividir em cinco passos uma humilde proposta de implementação da Experiência do Usuário. Tentei resumir ao máximo esse texto, para detalhar posteriormente. Vamos lá:

Essa abordagem envolve os elementos a seguir:
Primeiro passo – Levantamento do Requisito A
Segundo passo – Reconhecimento do Contexto B
Terceiro passo – Elaboração do Processo C
Quarto passo – Construção do Artefato D
Quinto passo – Verificação de qualidade E
Primeiro passo
O Requisito A é configurado pela função de transformação que deverá ser implementada em um sistema de informações.
Um escopo de projeto é definido pelo conjunto de seus requisitos. Um requisito é o que se chama muito de funcionalidade. Pois é de senso comum que um requisito é como uma funcionalidade que um projeto deve possuir. As funcionalidades normalmente são levantadas de acordo com as necessidades do cliente ou do usuário.
Nas empresas produtoras aqui do Brasil é possível citar algumas formas de levantamento de requisitos:
Pelo próprio cliente, que informa os requisitos através de documentos como briefings, ordens de serviços, editais, RFP's, etc.
Por profissional de planejamento que investiga o negócio do cliente e estabelece os requisitos mais adequados de acordo com parâmetros estratégicos.
Segundo passo
O Contexto B é configurado por um conjunto de necessidades não-funcionais que deverão ser contempladas para aprimoramento da experiência dos usuários.
Nessa definição de necessidades não-funcionais, podemos colocar o conjunto de necessidades pontuais ou globais que não se traduzem diretamente em funcionalidades, mas que deverão ser contempladas pelo projeto.
A minha preferência para o tratamento da Experiência do Usuário e das necessidades não funcionais nesse momento é um híbrido das idéias de Garrett e Morville. Não é a minha intenção discutir a melhor escola nesse momento, até pelo fato de que eu ainda não tenho essa informação. Talvez ela nem exista. Selecione os autores da sua preferência, construa e refine a leitura da Experiência que for mais adequada aos seus usuários.
Em outras palavras, nesse passo cabe qualquer conjunto de autores que ofereça para você um conjunto de conceitos e premissas de Experiência do Usuário que você acredite de verdade, e que tenha como aplicar no seu chão de fábrica.
Por isso que propositalmente eu chamei essa parte de “Contexto B”. As premissas de Experiência deve ser flexíveis para se adaptar ao contexto de produção, o contexto de premissas e o contexto de uso do que você produzirá.
Terceiro passo
O Processo C é modelado em função de descrever como serão atendidas as necessidades não-funcionais do Contexto B durante o atendimento do Requisito A.
A definição de um processo, mesmo que de maneira básica, é extremamente necessária para descrever quais serão os métodos utilizados para transportar os conceitos e premissas da Experiência do Usuário para a realidade.
Para citar um exemplo, você pode afirmar que tratará a disciplina Acessibilidade em seu projeto. Tratar Acessibilidade implica numa série de procedimentos e tarefas que devem estar descritas em algum ponto. Abaixo uma lista de apenas alguns dos pontos que devem ser esclarecidos de acordo com esse passo:
Qual a priorização dos critérios de acessibilidade em relação aos demais critérios da aplicação quando houver pontos onde o incremento de tratamento de uma coisa poderá degradar o tratamento de outra?
Como já falei, a lista acima é apenas um exemplo das coisas que podem ser tratadas.
Dado o volume de atividades desse trabalho, esse Processo C não deve estar exclusivamente na cabeça das pessoas. Deve estar disponível a todo o time que compõe um projeto. Isso ajuda inclusive a dimensionar o peso acrescentado das tarefas de Experiência do Usuário no esforço produtivo.
Quarto passo
Podemos considerar aqui como artefato qualquer produto ou subproduto que esteja sendo produzido sob a luz da Experiência do Usuário.
O Artefato é o principal elemento para o atendimento do Requisito, e deve estar em conformidade com todo o conjunto de necessidades não-funcionais do Contexto B descritas no Processo C.
Exemplos de artefatos produzidos são wireframes, mapas, montagens de interface, arquivos de design, resultados de testes, resultados de análise e demais saídas do conjunto de técnicas utilizadas para materializar a experiência.
Quinto passo
A Verificação E é concebida para avaliar o Artefato D quanto ao cumprimento da função de transformação do Requisito A, respeitando o conjunto de necessidades não-funcionais do Contexto B e estabelecendo concomitantemente a conformidade do artefato com o Processo C.
O processo de construção de experiência só ganhará solidez quando puder ser testado, ajustado e validado. Mas validar contra o quê? A validação deve atingir os artefatos sobre critérios pré-estabelecidos. Esses critérios devem estar desenhados em algum ponto do Processo C para que o artefato possa ser julgado claramente.
A intenção não é remover a subjetividade do processo de avaliação. Experiência é um elemento subjetivo por natureza. Não dá para transformar tudo em “checklist”, certas coisas devem ser avaliadas de maneira diferente dos processos de qualidade tradicionais. Mas um apoio documental é importante dado o enorme número de variáveis que devem ser tratadas em um processo de Experiência.
A afirmação de que um artefato cumpre determinado requisito, norma ou necessidade só pode ser feita de maneira segura se o artefato for devidamente testado e avaliado da maneira correta.
Finalizando
Este desenho e as informações deste texto estão em constante evolução. Creio que esse assunto não merece uma visão estática nem fórmulas mágicas para se fazer acontecer. Espero que essa visão seja útil para alguém de alguma forma. Até o próximo texto!
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