Reflexões de um tecnólogo humanista no mundo da produção de conteúdo e propaganda interativos. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Esse vai chover no molhado para muitos que passam por aqui. Para quem está envolvido de alguma forma com a disciplina da Arquitetura de Informação, o Vocabulário Visual de Jesse James Garrett não é novidade. Ele foi criado em 2000, e a sua última atualização até a edição desse texto data de março de 2002. Muitas pedras rolaram e mesmo assim,o vocabulário continua firme, forte e cada vez mais popular.
Update:

Sequência desse texto escrita nesse mesmo site -
Exemplo prático do uso do Vocabulário Visual de Jesse Garrett.Não deixe de acompanhar a continuação =).
Vamos aos tópicos:1. O Vocabulário de Garrett é uma técnica interessante que cria um padrão para algo que nós fazemos o tempo todo: o desenho de diagramas de navegação.O pulo do gato aconteceu quando Garrett separou e padronizou algumas formas básicas para representar elementos que compõem um ambiente navegável.
Páginas, arquivos, conectores, pilhas, estruturas de decisão e outras coisas mais poderiam ser representados de maneira simples e fácil de entender. Gerentes, designers, programadores, arquitetos, responsáveis por conteúdo e demais pessoas envolvidas em um projeto conseguem ler um diagrama desse tipo sem dificuldade.
2. Notação poderosa, flexível e versátilAs formas do vocabulário de Garrett são de utilização muito genérica, permitindo a descrição de sistemas de informação de qualquer tipo, em qualquer plataforma.
A comunidade está utilizando os padrões de Garrett para especificar interfaces de sites, portais, sistemas corporativos, sistemas transacionais e outros tipos de projetos.
3. Capacidade de refinamento gradual de funcionalidadesNas fases iniciais dos projetos, muitas vezes não possuímos todas as informações que precisamos para a construção e detalhamento das coisas como um todo.
A notação de Garrett possui alguns recursos que permitem que, ao longo do levantamento dos requisitos do projeto, o diagrama seja expandido e detalhado sem a necessidade de ser reescrito. Isso é um diferencial muito desejado para quem trabalha em ciclos de desenvolvimento iterativos (essa é a palavra - iterativos sem o "n" mesmo).
4. Independência de ferramenta de criação - possibilidade de desenho apenas com lápis e papelA notação original do Garrett não faz uso de cores e oferece boa leitura e distinção entre os itens que a compõem. Conforme você se vai se habituando com a linguagem, passa a usá-la em esboços no papel mesmo, em tempo real - seja em reuniões de equipe ou no seu caderno de anotações na visita ao cliente.
Para converter essas anotações para formato digital, também é moleza. Garrett ainda colocou diversos templates e stencils para um grande número de ferramentas de edição. Esses modelos contém as formas básicas pré-desenhadas e prontas para uso em qualquer das ferramentas listadas.
5. Suporte à conectores e seletores condicionaisEssa facilidade a permite a aplicação de condições lógicas no desenho dos diagramas. Com isso, pode-se descrever a navegação entre as interfaces principais e também contemplar os fluxos negativos de navegação. Todos sabemos que um bom projeto deve realizar sempre o correto tratamento de erros, exceções e contextos adversos que o usuário poderá enfrentar durante a operação.
Além disso, esse recurso permite também diferenciar a navegação em projetos com múltiplos perfis de acesso. A totalidade da lógica desenhada num diagrama com essa notação será aproveitada pelas equipes de desenvolvimento do projeto na hora de integrá-lo com fontes de informação diversas (bases de dados, sistemas de gerenciamento de conteúdo, webservices, etc).
6. Benefícios indiretosEntre outros benefícios, o diagrama de Garrett ajuda a minimizar o problema do aparecimento de interfaces não-previstas na fase de desenvolvimento. Ou seja: muitas vezes, quando os programadores recebem o trabalho, acabam identificando a ausência de telas. Isso pode causar interrupções no ritmo de desenvolvimento e atrasos nas entregas, pois a equipe de desenvolvimento precisa aguardar a prototipação e desenho das telas que surgiram inesperadamente.
A visão proporcionada pela evolução do diagrama ajuda a equipe inteira a evitar erros de dimensionamento de projetos, que são muito comuns em construções mais complexas.
Chamando a continuação...Não dá para esgotar por aqui o assunto do vocabulário de Garrett. No próximo texto, colocarei alguns exemplos gráficos de situações comuns de projeto, adaptados a nossa realidade "Brasil". A idéia é apresentar uma alternativa aos exemplos "gringos" e não mascarar a potencialidade do vocabulário com a apresentação de exemplos simples demais.
Enquanto isso não fica pronto, seguem alguns links sobre o assunto:
Vocabulário visual mantido por Jesse James GarrettEntrevista com Garrett feita três anos após o lançamento do vocabulárioVersão do Vocabulário traduzida para o Português, feita por Livia Labate e Laura LessaAté o próximo! =)
Obs.: O próximo chegou em
Exemplo prático do uso do Vocabulário Visual de Jesse Garrett.