Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Dias atrás, o colega
Luciano Lobato postou na lista
ArqHP um texto muito interessante, resultante de uma Aula de
Ted Nelson na PUC-SP. Infelizmente não consegui capturar a data que essa visita ao Brasil ocorreu. Achei esse texto muito bacana e resolvi anotar algumas coisas aqui para compartilhar com vocês.
Ted Nelson é o sujeito que recebe os créditos por ter cunhado o termo "hypertext" (hipertexto), publicando isso em 1965. Hoje, ele dá alfinetadas na maior implementação do conceito que ele mesmo criou: A World Wide Web, que foi desenvolvida muitos anos depois por
Tim Berners-Lee.
Nelson tentou emplacar o tal do
Projeto Xanadu, que foi fundado em 1960. Segundo Ted, o Xanadu é um modelo mais inteligente do que os softwares de hoje, que são meras simulações de papel.
Para ele, essa coisa toda de manipular "documentos", "arquivos", "pastas", "desktops" e "lixeiras" são exemplos de metáforas que prendem as pessoas, deixando-as presas a comparações e limitações.
É nesse bonde que ele coloca também a web, de Berners-Lee, que enterrou definitvamente o Xanadu. Na ótica do Nelson, a web é estruturada em estruturas limitadas chamadas "páginas", com os seus links de mão-única para a navegação entre elas.
Ted acusa esse modelo de ser simplista e de não favorecer o caminho reverso da informação. O interessante é se pararmos para pensar, as acusações dele fazem sentido. Tanto é que o conjunto de serviços aclamados como a tal da Web 2.0 é baseado nesse tipo de necessidade.
Como já diziam os antigos:
A história sempre é escrita pelas mãos do vencedor. O Nelson perdeu essa batalha, e o Xanadu nunca saiu do papel. Contudo, fiquei maravilhado por poder acompanhar a ótica do perdedor, tendo a chance de ver o outro lado da moeda.
Vamos à algumas coisas que Nelson constrói em seu raciocínio:
Sobre o browser (navegador)
"Tentar compreender a estrutura em grande escala de páginas da web interligadas é como tentar olhar para o céu à noite (...) através de um canudo de refrigerante."Sobre treinamento
"O chamado 'treinamento em informática' é uma ilusão: eles ensinam à pessoa as estranhas convenções e esquemas atuais (Desktop? Isso parece uma mesa de trabalho? Uma mesa vertical?) e dizem que é assim que os computadores são. Errado."Sobre o mito dos laboratórios Xerox PARC
"A conhecida história sobre a Xerox Parc, de que eles tentaram tornar o computador compreensível para o homem comum, é uma enganação. Eles imitaram o papel e as máquinas de escritório conhecidas porque era isso que os executivos da Xerox conseguiam entender. A Xerox era uma companhia devoradora de papel (...)."Sobre Steve Jobs
"Foi Steve Jobs quem orientou o trabalho da Parc para o mal. Ele pegou uma equipe da Parc e fez um trato com o demônio, e esse trato foi chamado de Macintosh."Sobre os "tekkies"
"A visão tekkie é geralmente a mentalidade do trabalhador braçal: primeiro você faz este serviço, depois faz aquele serviço, tudo o que lhe mandarem; (...) quando você termina o trabalho que lhe atribuíram, passa para o próximo trabalho da lista."Sobre o software de escritório ser desajeitado
"Pense em quanto tempo demora para abrir e dar nome a um arquivo e um novo diretório. Enquanto isso, o software de videogame é ágil, rápido, vivo. Por que isso acontece? Muito simples. Os caras que criam videogames gostam de jogar videogames."Não deixe de fazer a
leitura completa do texto.
Nelson, Theodor. (Consultado em Junho de 2006) "Libertando-se da prisão da internet".
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2674,1.shl