Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Este é o segundo texto da série onde eu falo sobre Wireframes do ponto de vista prático. Se você não leu o texto anterior, recomendo
consulta ao índice.
Como já disse anteriormente, vale ressaltar que o caráter desses textos leva uma carga pessoal muito grande. Estou aqui apenas para aprender e dividir - sinta-se à vontade para concordar, discordar ou apresentar outros pontos de vista. Então, vamos lá:
Parte 2 de 6 - Capacidade de manutenção rápida do Wireframe
(Soluções para facilidade de manutenção em projetos de maior porte).
a) Elementos globais desatualizados em muitas interfacesO Wireframe deve ser um documento vivo. Não deve apenas ser construído, aprovado e abandonado. Precisa ser atualizado durante todo o ciclo de vida do projeto, com a intenção de refletir as alterações e evoluções feitas à cada etapa.
É muito claro que do ponto de vista gráfico, o desenho do Wireframe não precisa e nem deve parecer com o projeto implementado. Os designers devem ter liberdade suficiente para trabalhar o design das interfaces de acordo com as prioridades de sua disciplina.
No entanto, sob a luz da arquitetura de interfaces, o projeto final deverá refletir todos os fundamentos informacionais que forem projetados no Wireframe. Isso inclui as características de hierarquização, organização e peso da informações. Mesmo que alterações sejam decididas em fases mais avançadas do projeto, é importante que exista algum mecanismo de rastreabilidade que faça com que sejam atualizados os Wireframes e todos os demais documentos arquiteturais utilizados durante o projeto.
Dentro de uma ótica de facilitar a manutenção do Wireframe, sempre é positivo evitar a execução de trabalho braçal para o projetista. Ficar alterando pequenas coisas em grande número de telas é uma tarefa desagradável que pode ser contornada de algumas formas:
- Quando possível, estabeleça zonas descritivas que defina tudo que é global em separado (cabeçalhos, menus, rodapés, etc). Ao detalhar as interfaces internas (miolo), deixe entendido no Wireframe que aquele é um módulo que acontece dentro de uma estrutura global que está documentada em outra parte do documento.
- Mensagens de diálogo e caixas de erro podem ser aplicadas em um fundo rachurado ou semi-transparente. Não precisam ser colocadas sobre telas de verdade. Isso dá até um maior poder de reuso para esse tipo de interface, já que não se torna necessária a repetição do desenho quando a mesma mensagem ou diálogo acontecer em outro contexto.
- Sempre que possível faça uso de recursos de agilizem as alterações de larga escala nos projetos. Um exemplo? Se usar o Visio, crie stencils dos elementos globais. Se for PowerPoint, Impress ou Draw, use bem o recurso do "Mestre". E assim suscetivamente para cada ferramenta. Busque sempre os melhores recursos para adiantar a manutenção do seu trabalho. Se você tem a necessidade de atualizar 400 telas quando o cliente pede para mudar simplesmente o nome de um sistema, seu Wireframe tem problemas.
b) Anotações textuais desestruturadas em torno dos elementos que compõem as telasUm problema muito sério acontece quando o Wireframe é desenhado sem nenhum documento de apoio (como um sitegrama ou outro documento de navegação). O projetista começa a anotar regras dentro do próprio Wireframe, definindo as premissas do o projeto em tempo de desenho.
Esse tipo de hábito torna a regra de apresentação muito difícil de entender. Existe uma dependência excessiva de toda a equipe por uma boa redação do projetista da interface, para que ele explique como as coisas que ele projetou deverão se comportar na tela. Qualquer mal-entendido gerará erros, retrabalho ou necessidade de reuniões explicativas.
Uma boa saída é deixar a responsabilidade de descrição do fluxo de navegação para um documento externo do tipo sitegrama, e deixar dentro do Wireframe somente anotações relativas à elementos de composição de tela. Não se mistura o que é descrição de navegação do que é descrição de comportamento de elementos.
Procure também estruturar um padrão de anotações de regra que seja unificado para você e para sua equipe. Dados importantes para o funcionamento da interface não devem ficar jogados em balões e setas descritivas espalhadas em várias copias de uma mesma tela.
Pense que essas informações devem ser facilmente localizáveis e recuperáveis pelas equipes de desenvolvimento e testes, que farão uso efetivo desses dados. Pense que o documento do Wireframe deverá proporcionar uma boa leitura tanto para o cliente quanto para quem implementa o produto na ponta de cá.
c) Adaptação e uso de ferramentas inadequadas para o desenho das telasTemos muita gente que hoje defende a prototipação em papel. Eu também sou a favor de independência de ferramentas e favorecimento de conceitos e padrões. A inteligência de um bom projetista extrapola a ferramenta que ele usa.
Com essa ressalva já feita, o que estou falando nesse caso é de se evitar a adaptação de ferramentas ineficientes para o desenho de telas. Isso pode produzir um comprometimento da produtividade da equipe e reduzir qualidade do trabalho final.
Quer um exemplo? Já vi um grande número de empresas utilizando o Microsoft PowerPoint para o desenho de Wireframes. Esse é um formato horrível, pois adapta um software originalmente feito para apresentação de slides em projetores. Trata-se de tentar matar "canhão" com tiro de "mosca" (o ditado está invertido de propósito). O uso do PowerPoint para desenho de Wireframe extrapola as possibilidades da ferramenta e causa uma série de problemas aos times envolvidos.
Do exemplo do PowerPoint podemos citar:
- Dificuldade de localização de telas dentro do documento.
- Travamentos do software ao manipular arquivos de tamanho grande.
- Corrompimento e inutilização de arquivos após o crash da aplicação.
- Falta de precisão na manipulação de elementos na tela.
- Problemas de agrupamento e sobreposição dos itens na tela.
- Dificuldade de alinhamento e posicionamento das coisas na tela.
- Qualidade inferior na impressão dos artefatos (versão impressa).
Entre muitas outras...
Alternativas?
Ivo Gomes sugere o
Microsoft Visio, o OmniGrafite, o Adobe Ilustrator ou o Adobe InDesign. Além dessas aí, existem outras ferramentas gratuitas ou pagas que podem te auxiliar melhor nesse processo. Pesquise a que melhor se encaixa na sua proposta de trabalho, pensando sempre em tornar os seus artefatos bem fáceis de manter.
Continue a leitura no próximo texto, que fala sobre
discrepâncias e trapaças no aproveitamento da tela pelos Wireframes. Muito obrigado!