Multiplexado

Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
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Sexta-feira, Setembro 29, 2006

 

A busca pelo mundo rico e o seu artefato perdido: Será que o Wireframe é suficiente?


Até o ano de 2003, eu trabalhava um bocado com aplicações de Internet Rica. Desde aquela época, nossa equipe já comentava sobre certa ineficiência dos processos convencionais de arquitetura de informação e design para web quando aplicados em projetos de aplicações com interações mais ousadas.

Naquele tempo, recebíamos as interfaces já pré-concebidas, com um conjunto de wireframes e as telas desenhadas que deveriam dizer como a aplicação deveria funcionar. Ou pelo menos é isso que esses documentos tentavam dizer.

O fato é que as pessoas que construíam esses artefatos estavam acostumadas a projetar sites convencionais. A interação se resumia a transposição de um documento a outro. Era criticado o "teletransporte" entre as telas, como o Ricardo Figueira gostava de dizer pra gente, na época que ele era meu chefe.

O “Teletransporte” que ele falava era facílimo de representar em wireframes. Tentei escrever um exemplo bem bobo na figura a seguir, para dar uma idéia dos documentos que eu recebia para trabalhar, no papel de programador daquele tipo de software.

Exemplo genérico de Wireframe de aplicação web linear.

O fluxo normal de um sistema e seus fluxos alternativos acontecia sempre na navegação entre telas (ou documentos). O Wireframe era composto por um “passo-a-passo”, com o desenho do mouse clicando em botões e links, junto com textos “racionais” sobre o que estava acontecendo na tela.

No fim das contas, nada mais era que uma tentativa de representação linear de um negócio multidimensional. Uma mesma tela poderia estar inserida em diversos contextos, mas o Wireframe mostrava mesmo na prática apenas um ou dois deles.

Em termos de experiência de navegação para o usuário, praticamente toda a retroação ao usuário vinha depois de um “reload” bruto. E a coisa funcionou assim durante um bom tempo. As pessoas se acostumaram com isso. A metáfora do “documento” web que tinha ficado “dinâmico” acabou virando padrão, e ainda permanece em muitos sites, sistemas e cabeças até hoje.

A superação da metáfora do “documento” em aplicações de interface rica

Quando falamos de aplicação rica aqui nesse texto, pode ser em qualquer plataforma que permita a aplicação deste conceito. Se é Flash ou Ajax não importa tanto. O fato é que trabalhar com esse tipo de projeto adiciona um bocado de atividades não presentes no processo de desenvolvimento tradicional da web.

Uma aplicação bem projetada pode permitir que condensemos e simplifiquemos os passos das atividades dos usuários. Quando estamos livres da metáfora documental, não ficamos presos à recarga das telas para fazer alguma coisa. Recuperamos a capacidade de alternar dinamicamente as informações de uma interface. Não faz muito sentido projetar isso da mesma forma que se projeta um site ou sistema web tradicional.

A estrutura rígida de documento na metáfora antiga começa a desaparecer quando os elementos na tela passam a não se comportarem tão linearmente. As possibilidades de interação passaram a ser semelhantes ao que acontecia na arquitetura cliente-servidor lá de antigamente. Os componentes podem ter mais estados. A comunicação pode acontecer a qualquer momento, sob a demanda da interação ou em resposta a algum evento interno do sistema.

Sobre a maturação do Ajax e Flash para programar isso, o que eu acredito de coração é estamos passando da época da “farofada tecnicista” sobre o assunto. Independente da plataforma do projeto, o nosso foco de atenção é que as pessoas estão se acostumando com os benefícios de poder usar interfaces mais inteligentes em qualquer plataforma. Junto com isso, cresce também a curva de rejeição das pessoas a produtos baseados em modelos ultrapassados de interação.

Linkando com o usabilimundo

Alguns dos últimos posts do Fred tratam desse problema, talvez num enfoque mais acadêmico e profundo. Van Amstel afirma que a metodologia tradicional do Design Centrado no Usuário não é suficiente para os novos desafios que os projetos da chamada Web 2.0 traziam. E eu concordo com ele.

Não pretendo chegar a um nível processual como o Fred, mas uma coisa que estou procurando por meses a fio é um artefato alternativo ao Wireframe para a prototipação de aplicações mais inteligentes e complexas, resolvendo uma faceta mais prática do desafio maior que é melhorar tudo no futuro.

Características desse tal artefato que procuramos:




Enquanto isso, na sala de justiça...

Estou trabalhando junto com meus amigos Wellington Saamrim e Ignácio Mouras na busca de soluções caseiras para esse problema. A primeira abordagem foi a construção de “máquinas de estado” para componentes, numa espécie de Wireframe turbinado e não baseado em “telas”, mas sim em componentes. É sobre isso que pretendo escrever mais adiante no site.

Se alguém tiver algum material bom sobre esse assunto, por favor, me envie. De repente a gente fica perdendo tempo viajando enquanto podem já existir coisas boas para poder aprender, usar e compartilhar.

Ah, vale lembrar o puxão de orelha que recebi do Caparica, por não ter terminado a série sobre Wireframes que estou escrevendo aqui no site. Capa, valeu pelo toque! Vou tocar esse negócio logo! =) Agora que já estou com um pouco mais de prática na troca de fraldas do meu filhote, ganho um pouco mais de tempo para atualizar o site.

Obrigado a todos que chegaram até aqui. Até breve!

Comentários:
Opa Nandico! Cara, vc não deve me conhecer, trabalhei na Click como Designer depois que vc passou por lá, e esbarrei no seu blog por acaso. Bem, devo dizer que virou leitura obrigatória pra mim. Muito bem escrito, falando com muita propriedade e profundidade.

Continue, com o trabalho, está sendo um prazer acompanhar e aprender com você.
 
O Ricardo Almeida, do iGroup, usa fluxogramas com "nunvens" indicando onde acontecem ações que não necessitam de reload. Mas não parece ser a solução ideal. É um bom tema para discussão.
 
O bom e velho tema de "como projetar aplicações ricas e dinâmicas usando ferramentas pobres e lineares"

Sem dúvida alguma, protótipos são uma solução bastante interessante para este problema.

Boa sorte velinho e não se esqueça de publicar seus progressos nessa sua saga! ;-)
 
Comecei um projeto com o objetivo de prototipar direto no Flash, usando seus componentes de interface, mas isso se tornou muito mais demorado do que eu esperava.

Voltei para o Visio, montando wireframes estáticos lotados de anotações para indicar as mudanças dinâmicas da página.

O grande dilema do wireframe é que ele pode ser usado tanto para especificação junto a desenvolvedores como para discussão com a equipe de design e clientes.

No caso de discussão, as soluções mais rápidas e simples se saem melhor. No caso de especificação os protótipos funcionais como citou o Gustavo são mais indicados.

Quanto ao problema da sequência entre as telas, basta ter um bom fluxograma acompanhando os wireframes estáticos.
 
Recentemente saiu um post no Boxes and Arrows sobre qual será a ferramenta (na opinião deles) que irá substituir o Visio na hora de conceber os wireframes

http://www.boxesandarrows.com/view/visio_replaceme
 
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