Multiplexado
Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
Um dia de experiência com o Jaws (software ledor de tela para acessibilidade) - Parte 2
No texto passado, fiz algumas observações sobre a ferramenta Jaws. Prometi uma continuação posterior devido ao razoável número de observações que havia coletado em papel durante o dia de navegação nessa plataforma.
Vamos aos principais itens coletados:
1. Ornamentos com uso de caracteresO Jaws realiza a leitura de pontuação alternativa de maneira explicita. Se você constroi algo como ".:: Site do Fulano::." e coloca na barra de título ou em outro canto da tela, o software não entenderá essa composição.
Para:
".::Site do Fulano::."Jaws lerá:"Ponto, dois pontos, dois pontos. Site do Fulano dois pontos, dois pontos ponto."
2. Quando a linguagem não for corretamente marcada, o Jaws não realizará a mudança automática de idioma para os termos vindos de outras linguas como Home, Site, Webdesigner, On-line, Flash, Design, Tread, etc.
Para:
"Home, Site, Webdesigner, On-line"Jaws lerá:"Ôme, Cíte, Uebdesignér, On Hifen líne"A solução para esse problema é marcar explicitamente o conjunto de palavras que deverão ser pronunciadas em línguas diferentes.
Em projetos HTML, isso pode ser feito com o uso atributo "lang" para especificar o idioma. Já em XHTML, o atributo correto será o "xml:lang".
Com a marcação correta, o Jaws conseguirá fazer as alternâncias de idioma de maneira dinâmica, sem comprometer a leitura.
3. Entendimento de expressões como Jornal #18, que deveriam ser entendidas como "Jornal número 18".Mais uma vez encontramos dificuldades na aplicação de grafismos com o uso de caracteres. Talvez seja interessante evitar esse tipo de construção.
Para:"Jornal #18"Jaws lerá:"Jornal cardinal dezoito"4. Entendimento de expressões como "~27,2 MB" que significam "Mais ou menos 27,2 Megabytes".
Para:"~27,2 MB"Jaws lerá:"Til vinte e sete virgula dois ême be."5. Problema de pontuação na leitura de links no meio do texto, como a blogosfera gosta de fazer.Cada vez que o Jaws
encontra um link durante a leitura (como o link que acaba de passar), a sentença é interrompida.
O sistema de controle de pontuação perde assim a referência de leitura. O ledor de tela continua do ponto de interrupção sem a aplicação correta da pontuação. Com essa prática, o trecho lido perde muito da expressão durante a leitura.
6. Problemas com algumas modalidades de anúncios google (confusão total na leitura).Em algumas modalidades do AdSense, o leitor de tela simplesmente começa a ler os links de publicidade embutidos no meio do texto sem alertar o ouvinte da mudança de contexto de conteúdo para publicidade. Essa mudança de contexto repentina causa uma tremenda confusão que pude experimentar em alguns sites extremamente relevantes na comunidade.
7. Problemas com uso visual da pontuação (reticências, emoticons, ASCII Art, etc).Pelo mesmo motivo colocado nos itens 1, 3 e 4, os emoticons perdem totalmente o sentido quando interpretados pelo software ledor de tela.
Para:":) / :-)"Jaws lerá:"Dois pontos fecha parênteses barra dois pontos hifen fecha parênteses"Itens para corrigir nessa casaSegue lista de alguns problemas que serão corrigidos ao longo do tempo neste site e no seu conteúdo:
1. Alterar o template para o sistema ler primeiro o conteúdo do site, depois os menus. A navegação repetida nos menus do site é extremamente cansativa. Atualmente não existe um atalho para os usuários pularem isso.
2. Detalhar semanticamente todas as abreviações utilizadas, como TI (de Tecnologia da Informação) e outras que existirem. Trabalho muito chato que deverá ser embutido em minha cabeça como padrão para a criação de novos textos.
3. Criação de nível de heading para os títulos de segundo nível no conteúdo. Atualmente, os títulos não estão semanticamente marcados.
4. Modificação nos links do site para que eles fiquem mais descritivos e testar novamente a experiência de lê-los através do Jaws.
5. Modificação de todas as citações do conteúdo para que fiquem detalhadas semanticamente.
6. Modificação das tabelas de dados que hoje estão inacessíveis e não detalhadas semanticamente.
7. Realização da tradução de alguns termos do template, como o
"Posted By" e
"Comments".
8. Marcação do idioma correto nas expressões idiomáticas que aparecerem ao longo do conteúdo.
No próximo texto darei uma pequena pausa no assunto acessibilidade para promover a discussão de outros temas relacionados à Experiência do Usuário. Até lá!
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
Um dia de experiência com o Jaws (software ledor de tela para acessibilidade)
Algumas vezes, a melhor maneira de entender como funciona determinada coisa é experimentá-la um pouquinho na prática. Talvez a faceta da experiência mais crítica a ser tratada nos dias de hoje seja a acessibilidade dos projetos.
No passado, numa experiência semelhante, separei um dia inteiro das minhas férias de 2003 para utilizar o
DOSVOX. Trata-se de um
software de acessibilidade de projeto homônimo que é mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na época não registrei a experiência que será repetida em breve, juntamente com outra etapa onde utilizarei o IBM
Home Page Reader.
Já nessa semana, separei um dia para utilizar a ferramenta
Jaws, na versão 7.0. O Jaws é um
software do tipo ledor de tela que fornece assistência para que pessoas com deficiência visual possam utilizar melhor o computador.
A experiência não tem nenhum fim acadêmico. Depois da instalação, desconectei o monitor e o
mouse do computador, passando a usar somente o sistema de áudio e o teclado. Após se acostumar um pouco com a ferramenta, tentei executar tarefas básicas como acessar
sites, ler correio eletrônico e escrever um documento em editor de textos.
Processo de downloadPara baixar os arquivos, me dirigi ao endereço a seguir:
http://www.freedomscientific.com/fs_downloads/jaws.aspO
download é de cerca de 52
megabytes. Nesta página, está disponível apenas a versão em inglês do software. Apesar disso, esta versão consegue ler documentos em português do Brasil.
Num uso prático, o chaveamento entre as linguagens se tornaria um pouco complicado. Se o
software for configurado para o nosso idioma, a leitura de qualquer aplicação que esteja em inglês não será de bom entendimento.
Para um uso menos experimental no idioma português do Brasil, o
Clube do Jaws oferece algumas versões mais antigas para instalação e uso que não estão contempladas por este texto.
Instalação e licenciamentoA primeira boa impressão durante a instalação foi à assistência oferecida pelo programa já em tempo de instalação. Todos os passos podem ser acompanhados por áudio, via ledor de tela, permitindo assim uma configuração acessível da ferramenta.
O
Jaws é uma ferramenta paga, mas os seus recursos são totalmente liberados para que as pessoas possam avaliar o software.
O processo de avaliação libera o uso da ferramenta por um numero ilimitado de sessões de 40 minutos. Após o vencimento deste tempo, o sistema pode ser reabilitado reiniciando o computador. Não se trata de burlar a ferramenta. É um procedimento previsto pelo fabricante para criar uma pequena limitação não-funcional que estimule a aquisição da licença do
Jaws.
Visão geral da ferramentaA navegação pelo
Jaws é feita essencialmente pelo teclado. A ferramenta possui um conjunto de atalhos pré-configurados para inúmeras aplicações mais comuns no ambiente
Windows.
O aprendizado desses atalhos talvez carregue a maior parte da complexidade de aprendizado do Jaws. Uma consulta ao menu do Jaws na seção
Utilities > Keyboard Manager ajuda bastante.
Para uma experiência de navegar em um site com o
Firefox ou com o Internet Explorer, podem ser úteis as dicas que se seguem:
Digitar um endereço de site:Firefox:
CTRL + L
Internet Explorer:
CTRL + O
Após escolher e digitar um endereço para iniciar a navegação, tecle ENTER. Este procedimento inicia a abertura da página. O
Jaws informa periodicamente a percentagem de evolução da baixa dos arquivos. Quando o documento atinge 100% de carga, a leitura é iniciada.
Navegar pelos controles (elementos): Utilize esses atalhos para percorrer os elementos de navegação do documento, como
links e campos de formulário.
Avançar:
TAB
Retroceder:
SHIFT + TAB
Controles de leitura:
Utilize estes atalhos para controlar os processos básicos de leitura do
Jaws.
Ler todo o texto:
INSERT + SETA PARA BAIXO
Navegar entre as linhas:
SETA PARA BAIXO ou SETA PARA CIMA
Ler a próxima palavra:
INSERT + SETA PARA FRENTE
Ler a palavra anterior:
INSERT + SETA PARA TRÁS
Soletrar para frente:
SETA PARA FRENTE
Soletrar para trás:
SETA PARA TRÁS
Entrando no modo de edição nos formulários:Caso a página que você estiver navegando contar com um formulário, provavelmente você encontrará alguns campos editáveis ao percorrer os elementos. Quando o foco atinge um campo de texto, por exemplo, o
Jaws o descreve como
Edit, logo após dizer o nome do campo e o valor que lá estiver preenchido.
Para poder digitar informações nesses controles, é necessário pressionar a tecla ENTER para que o
Jaws entre em modo de edição de formulário. Se esse procedimento for bem sucedido, o sistema emite a mensagem
Forms mode ON. Logo em seguida, ele interrompe a escuta dos atalhos para os elementos semânticos e libera a entrada de texto no teclado.
Acesso à elementos semânticos:Um recurso muito bom para navegar pelos elementos semânticos de uma página é a possibilidade de uso de atalhos especiais, como por exemplo:
Percorrer pelos controles editáveis (campos):
E
Percorrer os
blockquotes:
Q
Percorrer os botões de rádio:
R
Percorrer os
checkboxes:
X
Percorrer os
selects:
C
Percorrer os botões:
B
Percorrer as tabelas de dados:
T
Percorrer listas:
L
Percorrer os itens de lista:
I
Percorrer os
objects:
O
Percorrer os cabeçalhos:
H
Pular para uma linha específica:
J
Próximo textoNo próximo texto, descreverei a experiência de navegação acontecida no primeiro dia de uso do Jaws. O texto listará alguns problemas encontrados neste endereço (
http://www.nandico.com.br/). Além disso, contemplará os principais diferenciais de navegabilidade dos projetos que seguem os padrões web. Muito obrigado pelo interesse!
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
Desatrelando a Experiência do Usuário de aspectos tecnológicos
É comum no desenvolvimento de novos papéis e disciplinas de trabalho o surgimento de uma certa confusão inicial entre as pessoas do meio.
Fazendo um breve apanhado histórico, podemos lembrar da ascensão e queda do papel do webdesigner, do surgimento da arquitetura da informação, da grande migração dos profissionais de TI e seus processos para a web e mais recentemente, dos fenômenos da usabilidade e do despertar do mercado para a necessidade do uso de padrões.
Tudo isso acaba trazendo muito pano para manga para discussão, principalmente durante o período de formação massa crítica no mercado.
Essa massa é composta por pessoas como eu e você, gente do ambiente produtivo. Nossos times é que selecionam e incorporam o conjunto de conceitos e técnicas que realmente se aplicarão no nosso "chão de fábrica", num processo de renovação contínua.
Na nebulosidade de novos conceitos, a tendência natural das pessoas é puxar a sardinha para o seu lado. Em se tratando de Experiência do Usuário, já acontece muito. É sobre isso que vamos falar nas linhas que se seguem.
Aspectos humanos e aspectos tecnológicosNo processo de Experiência do Usuário, é fundamental o respeito e a priorização dos aspectos humanos alcançados pelo nosso trabalho.
O pensamento geral e os artefatos que produzimos são construídos sempre de maneira centrada no usuário. E o usuário, como pessoa, possui um conjunto de atributos humanos que influenciam na forma como ele lida com o software que produzimos. Desculpem o pleonasmo na frase anterior. Foi para dar ênfase mesmo.
Os conceitos envolvendo a Experiência do Usuário podem ser aplicados em qualquer plataforma tecnológica. Muitas vezes até ultrapassam isso. Você pode estudar um cardápio de restaurante do ponto de vista do usuário, para citar um exemplo diferente.
Aqui nesse site, priorizaremos o tratamento da experiência no uso de software, mas a disciplina não acaba nesse horizonte. Um dos meus mentores on-line (Fred) já fez e descreveu cases bem bacanas. Segue um deles para você degustar em
http://www.usabilidoido.com.br/o_caso_do_disco_dos_doshas.html.
O caso especial dos padrões webNos últimos tempos, o conjunto de recomendações conhecida como padrões web (ou webstandards) vem revolucionando a maneira de como as pessoas constroem aplicações para a web.
Esse processo é extremamente positivo, e na maioria dos casos, vem sendo tocado pelos desenvolvedores web (XHTML, CSS, Ajax, etc). Essas pessoas é que levantam as necessidades nas organizações, evangelizam gestores, convencem clientes e trabalham para a construção de software mais acessíveis e usáveis.
Os padrões web foram concebidos de maneira centrada no usuário. Praticamente todos os fundamentos da Experiência para a maioria dos autores estão contemplados ao seguirmos de "A a Z" as recomendações do W3C.
É importante ressaltar que um projeto webstandard bem escrito e corretamente avaliado já implementa boa parte dos requisitos que desenham a Experiência do Usuário como um todo. Mas o desenho da Experiência não é exclusividade dos padrões. Também é possível contemplar esses requisitos fora da web, com o uso de outras tecnologias.
Ou seja: por mais que o pessoal dos padrões batam o pé e sejam contra outras tecnologias, não podem se considerar detentores exclusivos da User Experience. Eles à implementam, não à são.
O caso do Flash/RIAOs discursos calorosos da Macromedia no início do movimento RIA foram encarados com ceticismo por uma boa parte da comunidade, desde aquela época. Uma tecnologia fantástica como o Flash, que tem a sua aplicação em diversos casos (inclusive na web) pode ser facilmente acusada de ter tentado "monopolizar" a "Experiência", como se essa tecnologia fosse o único meio de alcançar esse conceito dentro ou fora da web.
É possível trabalhar a Experiência do Usuário dentro do Flash, assim como em outras tecnologias. O que não se pode é acreditar que o Flash seja o único caminho para isso, até pelo motivo de possuir ainda muitos entraves em tratamento. Desses entraves, vale comentar principalmente as questões de acessibilidade.
Essas questões ainda estão em resolução na plataforma, e tem dado muita dor de cabeça para o time que participo lá no meu trabalho. Ainda não desistimos do desafio. Mas sabemos já que as coisas não são tão simples quanto os papers e apresentações da Macromedia colocam junto do seu material para desenvolvedores.
O Flash, pelo seu histórico, não teve necessariamente a sua evolução de maneira centrada no usuário. Todavia, a Macromedia vem correndo atrás nos últimos tempos para adaptar a orientação de seus produtos.
No final das contas, a intenção aqui não é favorecer "essa" ou "aquela" tecnologia, mas sim levar em consideração todas as opções tecnológicas que respeitem ou tenham a intenção de respeitar os usuários. E também de não deixar nenhuma tecnologia ou plataforma tomar de conta da Experiência, é claro.
A emoção levada em conta, muito mais importante que a tecnologiaFalando em desatrelar a Experiência de aspectos tecnológicos, termino o texto citando o amigo virtual Caparica, dentro de um tópico da ArqHP. A ArqHP é uma excelente lista de discussão sobre padrões web da qual eu participo e recomendo para as pessoas.
Disse o Caparica, no meio de uma tread calorosa na lista:
"Dirigir um Corsa 2006 é, em termos de usabilidade/design/ergonomia/etc, muito mais 'Prazeroso' (subjetividade aqui em destaque) que dirigir um Fusca 1968. MAS, pra muita gente - eu aqui incluso - a 'Experiência de uso' de um Fusca 1968 é, em disparado, algo melhor. Outros fatores - emocionais - fazem muita diferença."
Nos vemos então no próximo texto, onde estarei lembrando do ronco do VW 1600 com estofamento de couro e calotas prateadas. Até lá!
Arquivos
Janeiro 2006
Fevereiro 2006
Março 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Setembro 2006
Outubro 2006
Novembro 2006
Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Março 2007
Abril 2007
Maio 2007
Julho 2007
Setembro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007
Fevereiro 2008
Março 2008
Abril 2008
Junho 2008
Julho 2008

Assinar Postagens [Atom]