Multiplexado

Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
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Quinta-feira, Março 02, 2006

 

Implementando a Experiência do Usuário - Primeiro desenho


Na tentativa de trazer as coisas um pouco mais para a prática, tentarei dividir em cinco passos uma humilde proposta de implementação da Experiência do Usuário. Tentei resumir ao máximo esse texto, para detalhar posteriormente. Vamos lá:

Imagem descrevendo os passos da Experiência abordados pelo Texto

Essa abordagem envolve os elementos a seguir:

Primeiro passo – Levantamento do Requisito A
Segundo passo – Reconhecimento do Contexto B
Terceiro passo – Elaboração do Processo C
Quarto passo – Construção do Artefato D
Quinto passo – Verificação de qualidade E

Primeiro passo

Um escopo de projeto é definido pelo conjunto de seus requisitos. Um requisito é o que se chama muito de funcionalidade. Pois é de senso comum que um requisito é como uma funcionalidade que um projeto deve possuir. As funcionalidades normalmente são levantadas de acordo com as necessidades do cliente ou do usuário.

Nas empresas produtoras aqui do Brasil é possível citar algumas formas de levantamento de requisitos:

  1. Pelo Analista de Requisitos, profissional especializado que os levanta junto ao cliente (de acordo com a engenharia de software moderna).
  2. Pelo próprio cliente, que informa os requisitos através de documentos como briefings, ordens de serviços, editais, RFP's, etc.

  3. Por profissional de planejamento que investiga o negócio do cliente e estabelece os requisitos mais adequados de acordo com parâmetros estratégicos.

Segundo passo

Nessa definição de necessidades não-funcionais, podemos colocar o conjunto de necessidades pontuais ou globais que não se traduzem diretamente em funcionalidades, mas que deverão ser contempladas pelo projeto.

A minha preferência para o tratamento da Experiência do Usuário e das necessidades não funcionais nesse momento é um híbrido das idéias de Garrett e Morville. Não é a minha intenção discutir a melhor escola nesse momento, até pelo fato de que eu ainda não tenho essa informação. Talvez ela nem exista. Selecione os autores da sua preferência, construa e refine a leitura da Experiência que for mais adequada aos seus usuários.

Em outras palavras, nesse passo cabe qualquer conjunto de autores que ofereça para você um conjunto de conceitos e premissas de Experiência do Usuário que você acredite de verdade, e que tenha como aplicar no seu chão de fábrica.

Por isso que propositalmente eu chamei essa parte de “Contexto B”. As premissas de Experiência deve ser flexíveis para se adaptar ao contexto de produção, o contexto de premissas e o contexto de uso do que você produzirá.

Terceiro passo

A definição de um processo, mesmo que de maneira básica, é extremamente necessária para descrever quais serão os métodos utilizados para transportar os conceitos e premissas da Experiência do Usuário para a realidade.

Para citar um exemplo, você pode afirmar que tratará a disciplina Acessibilidade em seu projeto. Tratar Acessibilidade implica numa série de procedimentos e tarefas que devem estar descritas em algum ponto. Abaixo uma lista de apenas alguns dos pontos que devem ser esclarecidos de acordo com esse passo:

  1. Acessibilidade para quem? Pessoas, dispositivos, contextos?
  2. Quais os tipos de dificuldades de acesso que estarão sendo tratados em seu produto? Qual o nível de tratamento que será dado para cada tipo de dificuldade? Quais as normas de conformidade que serão utilizadas para validar os artefatos produzidos? Qual o nível de conformidade que deverá ser atingido dentro das normas?
  3. Quais são os processos que serão utilizados para realizar os testes de verificação da acessibilidade?
  4. Como serão construídos os ambientes de teste para os parâmetros que não podem ser testados automaticamente?
  5. Qual a priorização dos critérios de acessibilidade em relação aos demais critérios da aplicação quando houver pontos onde o incremento de tratamento de uma coisa poderá degradar o tratamento de outra?

Como já falei, a lista acima é apenas um exemplo das coisas que podem ser tratadas.

Dado o volume de atividades desse trabalho, esse Processo C não deve estar exclusivamente na cabeça das pessoas. Deve estar disponível a todo o time que compõe um projeto. Isso ajuda inclusive a dimensionar o peso acrescentado das tarefas de Experiência do Usuário no esforço produtivo.

Quarto passo

Podemos considerar aqui como artefato qualquer produto ou subproduto que esteja sendo produzido sob a luz da Experiência do Usuário.

O Artefato é o principal elemento para o atendimento do Requisito, e deve estar em conformidade com todo o conjunto de necessidades não-funcionais do Contexto B descritas no Processo C.

Exemplos de artefatos produzidos são wireframes, mapas, montagens de interface, arquivos de design, resultados de testes, resultados de análise e demais saídas do conjunto de técnicas utilizadas para materializar a experiência.

Quinto passo

A Verificação E é concebida para avaliar o Artefato D quanto ao cumprimento da função de transformação do Requisito A, respeitando o conjunto de necessidades não-funcionais do Contexto B e estabelecendo concomitantemente a conformidade do artefato com o Processo C.

O processo de construção de experiência só ganhará solidez quando puder ser testado, ajustado e validado. Mas validar contra o quê? A validação deve atingir os artefatos sobre critérios pré-estabelecidos. Esses critérios devem estar desenhados em algum ponto do Processo C para que o artefato possa ser julgado claramente.

A intenção não é remover a subjetividade do processo de avaliação. Experiência é um elemento subjetivo por natureza. Não dá para transformar tudo em “checklist”, certas coisas devem ser avaliadas de maneira diferente dos processos de qualidade tradicionais. Mas um apoio documental é importante dado o enorme número de variáveis que devem ser tratadas em um processo de Experiência.

A afirmação de que um artefato cumpre determinado requisito, norma ou necessidade só pode ser feita de maneira segura se o artefato for devidamente testado e avaliado da maneira correta.

Finalizando

Este desenho e as informações deste texto estão em constante evolução. Creio que esse assunto não merece uma visão estática nem fórmulas mágicas para se fazer acontecer. Espero que essa visão seja útil para alguém de alguma forma. Até o próximo texto!


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