Multiplexado

Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
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Segunda-feira, Novembro 27, 2006

 

Será que não é falácia colocar ROI (Retorno do Investimento) em tudo?


Num período onde estive envolvido em alguns projetos de intranets e portais corporativos, era comum as pessoas falarem sempre de ROI (Return on Investiment, ou Retorno do Investimento). O termo, emprestado do Marketing, acabou sendo incorporado pelo discurso das pessoas naquela época.

"A intranet da empresa ACME proporcionou um ROI de 12% no primeiro ano de funcionamento em economia de papel e gastos com impressão."

"A migração do Sistema Contábil da ACME para a Intranet Corporativa proporcionou um ROI de 40%, realizado após o primeiro ano de implantação. A nova versão resolveu problemas de distribuição do software, com consequente redução no número de chamadas de suporte e alcance de maior estabilidade e robustez do sistema."

Beleza! O investimento teve retorno. Nos casos hipotéticos que criamos, a ACME gasta menos papel por um lado e gasta menos com suporte do outro.

Observe que, nos exemplos acima, estamos falando explicitamente de redução de gastos. Esse tipo de pensamento dominou a primeira fase dos projetos, até que as pessoas se tocaram que uma ação de Intranet poderia ser muito mais do que contenção de despesas.

Enquanto isso, você pode estar perguntando onde é que está a experiência do usuário nisso tudo. Mas a gente fala só mais um pouquinho sobre o passado para chegar ao nosso tema principal, combinado?

Os valores "intangíveis" eram renegados pela métrica do ROI.

No caso das Intranets, como o ROI poderia contemplar as questões de endomarketing em projetos bem sucedidos? Como ele poderia medir o aumento da satisfação dos colaboradores por receberem os assuntos da empresa de uma maneira mais eficiente?

Como os membros da alta direção da empresa poderão saber que uma ação desse tipo reduziu a "distância transacional" entre os colaboradores? Como verificar que uma ação de Intranet ajudou de fato a disseminar o conhecimento dentro da empresa, proporcionando um desenvolvimento em cascata das pessoas e da própria organização como um todo?

Nesse segundo caso, o foco das ações já não era redução de despesas, mas sim iniciativas que criam condições para o aumento de receitas. É nessa que o ROI se ferra feio!

Foi meu amigo Ricardo Saldanha que me passou, um tempão atrás, um paper do Gartner chamado de "Changing the view of ROI to VOI". Esse paper introduz o conceito de Value on Investiment (Valor sobre o Investimento), justamente para cobrir esse gap deixado pelo ROI.

Foi por esse paper que cheguei a conclusão que o ROI muitas vezes poderia ser uma simplificação cruel. Uma visão meramente "industrial" de um processo de natureza "informacional", amplamente baseado na gestão do conhecimento corporativo.

Agora sim, voltando para a Experiência do Usuário...

É comum ler discursos na Web, inclusive de autores de renome (UM e DOIS, como exemplos), citando que o profissional de Usabilidade/Experiência do Usuário tem que fazer as coisas sempre pensando no ROI. Eu não discordo disso na totalidade. O que eu pessoalmente acredito é que tem um bocado de gente afirmando esse tipo de coisa de maneira mais ou menos leviana.

Pergunte a alguém que soltar essa "Buzzword" como fará para medir o ROI de uma ação qualquer, dessas que a gente faz em nossos trabalhos no cotidiano. Peça na ponta do lápis. Pois o ROI, enquanto conceito, é muito simples. O problema se trata de como mensurar os benefícios de uma boa experiência e transformar isso numa visão de ROI na prática?

Hoje, para vender o conceito do ROI na usabilidade, as pessoas tem na ponta da língua aqueles exemplos:


Repare que ninguém ensina a mensurar as outras coisas que importam um bocado dentro do exercício das atividades do profissional de experiência, como por exemplo:

Muitas dessas ações acima acabam dando resultados que refletem no ROI somente a longo prazo, depois que a ação já passou e que possíveis medidas corretivas já não foram tomadas. É onde eu pergunto: E agora, José?

Bom, eu entendo que a ênfase no ROI foi um discurso de entrada necessário para que as pessoas de lá do andar de cima dos organogramas (stakeholders) percebessem a importância de investir em usabilidade e ações correlatas. Agora que essa fase tá passando, não seria o momento da gente evoluir o nosso discurso?

Abraços, até o próximo! =).

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

 

Rootz Media Experience: Experiência do usuário em CLIPPER?!? =)


Essa semana caiu um projeto inusitado na minha mão. Um determinado cliente que atendo possui um sistema que está espalhado em torno de 15.000 terminais, cobrindo toda a extensão do território brasileiro (inclusive locais de difícil acesso).

Esse grande sistema possui mais de uma arquitetura de camada de apresentação. Os terminais mais modernos e com possibilidade de funcionamento on-line (modo síncrono) utilizam a tecnologia Java com Swing para montagem das interfaces. Já os terminais mais antigos ou com limitações de conexão utilizam a tecnologia Clipper. Os terminais em Clipper rodam em modo assíncrono, com fechamento de caixa apenas no final do dia. O volume de transações executadas é gigantesco. Pelos dados do cliente, esse sistema só perde em volume de transações para algumas entidades do sistema financeiro. O Clipper ainda responde por cerca de 30% da base instalada.

Então, todas as vezes que surge uma nova funcionalidade, fica necessário modelar interfaces em Swing e em Clipper. Só que cada um desses ambientes possui os seus próprios padrões de navegação. Enquanto a experiência do módulo em Java é muito parecida com o que a gente vê na Web ou em nossos PC’s, a experiência em Clipper é totalmente baseada em teclas de atalho e navegação por TAB. Essa é a cara do sistema:

Tela do sistema atual, na plataforma Clipper.

Como trabalhar de maneira “centrada no usuário”?

Ainda estou em fase de descobertas para matar essa charada. O que estou fazendo nesse momento é navegar exaustivamente na aplicação em Clipper para identificar padrões de todo tipo: de navegação, preenchimento de campos, disposição de elementos na tela, uso de comandos, mensagens de erro, alerta, dicas de preenchimento, etc.

Estou na abordagem de perpetuar os padrões já constituídos. Ainda não tenho condições de propor “melhorias” aos padrões existentes. A minha experiência profissional se limita a sistemas cliente-servidor ou arquitetura web. Concluí que, se os novos módulos propiciarem uma experiência semelhante aos módulos já existentes, isso refletiria positivamente na curva de aprendizado dos milhares de usuários que já trabalham a alguns anos nessa ferramenta.

Tipo de prototipação

Escolhi uma técnica de prototipação em papel, baseada em wireframes estáticos. Como o Clipper trabalha em fontes monoespaçadas (caracteres, linhas e colunas fixas), adicionei essa característica no Wireframe para poder diagramar melhor os campos dentro das limitações da tecnologia disponível.

A cara que o Wireframe está ficando é essa aí:

Protótipo em papel do sistema atual, na plataforma Visio e com possibilidade de edição direta.

Vamos ver que coisas boas que poderei aprender com essa coisa toda =). Um dia desses, eu tava falando aqui de prototipação Rich Media, e agora me aparece um esquema de Rootz Media pra trabalhar (coisas da vida)... Abraços a todos!

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