Reflexões de um tecnólogo humanista no mundo da produção de conteúdo e propaganda interativos. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Posso estar enganado, mas acho que é preciso ter a envergadura de um Nielsen ou até mesmo de um
Nizan para dizer “o que é”, assim, na bucha. Escrever a regra do jogo, criar patamares e definir mercados é com eles. No meu exercício de blogueiro, o máximo que posso fazer é pegar um atalho e tentar dizer
"o que não é". Nesse post, vou arriscar falar sobre usabilidade, que é o tema primordial dos meus vizinhos de blogroll.
Na reverberação de uma confusão de conceitos e leituras ao conversar com gestores, clientes, parceiros, amigos e colegas de outras áreas, colocarei algumas coisas aqui no meu blog sobre
o que eu acho que usabilidade talvez NÃO seja:
Usabilidade não é teste.
Não é cenário.
Não é heurística.
Não é persona.
Não é cenário de tarefa.
Não é método.
Não é o jeito que empresa "x" trabalha.
Não é a metodologia "y".
Não é padrão.
Não é técnica.
Explicando a verborréia (antes que as tijoladas venham, talvez seja possível evitá-las)É complicado voltar de férias e soltar uma sequência dessas aí. Mas é que reduzir a usabilidade a qualquer uma dessas coisas é correr o risco de fazer uma simplificação "tecnicista" de uma coisa que deveria ser totalmente humana, baseada em indivíduos e contextos.
Tenho comigo que a melhor técnica (ou conjunto) depende diretamente do que aparenta (ou pode) ser melhor para as pessoas que vão usar o que se está projetando ou consertando.
É aquele velho “depende” que algumas pessoas não gostam de ouvir: sentem-se enroladas. Às vezes preferem dar ouvido a fanfarrões e gurus vomitando verdades universais, sendo que boa parte dos problemas de usabilidade é de escopo local. Pelo menos na vivência que tenho, a maioria dos fatos influenciadores do comportamento dos usuários são de natureza estocástica. Esse comportamento está sujeito a um
efeito borboleta danado, e essa teia de eventos não se pega somente em avaliação heurística ou testes de usabilidade, por exemplo. Pega é com imersão, pesquisa e instrumental adequado para cada situação.
É “do usuário”, não podemos esquecerPelo menos nas minhocas da minha cabeça, a ênfase nas pessoas é o pino mestre do guindaste que ergue a filosofia da experiência do usuário. Senão deixa de ser “do usuário” e passa a ser “experiência da tecnologia” ou “experiência do prazo apertado” ou ainda a “experiência do magáiver”. Ainda acredito no ideal que as coisas têm que ser necessariamente centradas nas pessoas. Sou contra as decisões de projeto serem unicamente baseadas em portifólio de técnicas, métodos ou ferramentas que empresas e pessoas dominem, só porque isso é mais “repetível”, como se diz na Engenharia de Processos.
O mínimo que a gente pode fazer para selecionar técnicas seriamente, sem colocá-las como “consultoria em caixinha na prateleira” é conhecer basicamente o público, os contextos de uso, ter condições de construir hipóteses, validar essas hipóteses e propor linhas de ação que usem o que for mais adequado das escolas de usabilidade, IHC, UCD, Experiência do Usuário, Design da Interação e o que mais houver. Conteúdo e teorias não faltam.
Já ta acabando...Falando em conteúdo e já estourando a cota do “achismo”, creio que seguir só um autor ou tendência também é bobagem. Na era do mashup e do remix, até eu que sou retrógrado em muitas coisas fui buscar um pouco de diversidade. Vamos então fazer um
boogie-woggie de pandeiro e violão nas teorias e até o próximo texto.
Se Jah quiser, este site será atualizado agora com uma periodicidade decente, visto que as férias (dessa vez físicas) foram excelentes. O último “acho” é que os meus problemas de atualização do blog eram falta de oceano atlântico na vida. =)