Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Todo mundo que trabalha com Experiência do Usuário já deve ter ouvido falar ou até mesmo utilizado
uma técnica chamada Personas. É chover no molhado ficar aqui desenvolvendo o assunto do ponto de vista técnico. É uma prática sedutora, com um potencial danado para bons resultados. A primeira vez que ouvi falar de Personas foi quando o
Ricardo Figueira chegou dos EUA mais ou menos em 2002 com essa novidade na manga. Logo ela foi colocada em prática lá nos meus saudosos tempos de descobertas quando trabalhava na
AgênciaClick.
O que venho tentar chamar atenção é para um problema social da quantidade de personas que são criadas e abandonadas todos os dias.

Na pressão de estarem em dia com as novidades do mercado (que não são nem tão novidade assim), profissionais de experiência do usuário estão brincando de deus ao criarem personalidades e histórias de vida, soprando alma em adolescentes, vovozinhas, executivos, universitárias e donas de casa.
Se você é uma pessoa responsável pelas
personas que cria, tudo bem.
Vá em frente e continue criando.
Você é do bem.Mas se você usa suas
personas somente no início dos projetos, por pura vaidade, e depois deixa esses pobres seres jogados em arquivos PowerPoint ou documentos do Word,
você é do mal.
Está piorando um problema virtuo-social de ordem muito maior do que a derrocada do ICQ, a morte dos e-mails grátis ou qualquer outro fenômeno interneto-social - como os avatares errantes abandonados no SecondLife.

As personas são muito mas úteis: elas querem te ajudar no andamento do projeto, não só no início. Querem validar as entregas de cada etapa. Querem ser lembradas quando algum programador tentar mudar alguma coisa por conta de um framework tosco. Querem ser lembradas quando o cliente tentar estuprar alguma funcionalidade que foi criada pensando nelas. Esse é o seu papel. Não servem só para ficarem bonitas no projetor.
Persona criada não é formiga de fazenda.
E não acaba por aí...Quando o projeto terminar, as
personas querem avaliadas na contribuição que ofereceram. Ajudar a avaliar as diferenças entre o planejado e o executado.
E depois do projeto, não querem morrer: Elas desejam persistir para nortear a evolução consistente do projeto em seus próximos passos, servindo como parâmetros para a manutenção, evolução e sustentação do projeto, em um modelo coerente com a forma como as coisas foram criadas e modeladas para elas.
É por isso que lanço a campanha: ADOTE uma persona abandonada!
Se você conhece alguma
persona que foi esquecida ou anda sub-utilizada, use o recurso de comentários desse blog para poder anotar as informações sobre elas. Vamos cuidar para que todas sejam adotadas, resgatando-as do LIMBO para que elas revivam em novos projetos. Por favor, divulgue essa campanha em seu blog para que todas as
personas possam ter condições de ter uma vida melhor.
Selinhos da campanha: