Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Senhoras e senhores, venho aproveitar que passei a noite em claro trabalhando e agora aguardo o dia amanhecer para ir trabalhar mais ainda. Faço assim porque se dormir essa hora, não acordo mais. Venho falar sobre um assunto que tenho acompanhado em algumas listas de discussão:
uma crescente rejeição ao lugar comum da expressão "foco no usuário".
Acho que se fizer uma pesquisa aqui nesses dois anos de blog sobre esse termo e suas variações, elas estarão presentes em todas as páginas. Fiquei pensando sobre a possibilidade de estar sendo apenas mais um "chavãozeiro", principalmente depois de ler alguns argumentos bêm consistentes contra o meu até então inabalável edifício mental do pensamento
user-centered.
Na contramão da nova tendência, decidi que esse mantra permanecerá na minha cabeça com apenas uma adaptação:
é foco na pessoa, pois fica um pouquinho mais humanizado.
Depois de uma temporada trabalhando para fábricas de software, essa adaptação me ajudava a resolver um problema de entendimento no contexto de TI, onde
usuário pode significar tanto
usuário final, quanto
cliente, quanto quase todo tipo de
stakeholder que você converse. As vezes eu emendava um "pessoa utilizadora" na tentativa de deixar as coisas mais claras. Essa é uma mera adaptação é de uso pessoal, sem pretensão de nada, mas que coube na época.
As mini-decisões de projeto - é disso que eles são feitos.Não sei como o mercado lida com isso, mas o "mantra" absorvido pela mente me ajuda em todas as mini-decisões que preciso tomar durante o exercício do nosso trabalho. Eu acho que é dessas mini-decisões que os produtos são feitos. Não lidamos com materia prima física, e sim com produção intelectual. Em todas as pequenas encruzilhadas, podemos avaliar entre os caminhos disponíveis como primeiro critério o caminho que intuirmos que seja melhor para as
pessoas utilizadoras do produto, mesmo que esse caminho não seja o mais fácil (e quase sempre não é).
Nesse processo granular, quanto mais conseguimos acertar, maior a nossa chance de termos ou mantermos um bom produto. Penso que a maioria dos projetos notáveis são um somatório de pequenas virtudes, frutos de pequenas decisões, criações e construções
centradas em gente que usa.
Se o "mantra" do foco no usuário me ajuda a alcançar isso, só irei desconstruí-lo quando aparecer alguma idéia que me ajude mais. Isso aqui não é uma defesa do termo. É uma demonstração de utilidade pessoal para uma idéia aparentemente desgastada. Ninguém levou em conta que esse desgaste pode ser muito mais problema de
uso fanfarrão do que com a idéia propriamente dita.
O mantra é um lembrete constante para meu exercício continuado de empatia. Então, na minha cabeça (pelo menos, por enquanto) ele segue soberano.
Abraços a todos!