Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
Já fazem alguns dias que eu tive contato com o blog do
UXrecife, via
Sinistras do Caparica. Fiquei muito feliz pela organização desse grupo, que muito mais do que uma
lista de discussão, é uma "rede de
happy hour", que promove encontros físicos, organiza eventos e aproxima as pessoas.
Foi aí que o meu irmão
Paulo Foerster, lá da "terrinha", como ele gosta de dizer, me fez o convite para participar da lista, me contando uma pá de coisas legais que acontecem por lá, entre apoio de instituições fantásticas como o
CESAR, muita gente legal que eu precisava conhecer, o entusiasmo e as impressões dele sobre os encontros.
Maracatu Rural, de Haidee Lima, ilustrando a página de entrada do UXrecifeQuanto ao lado pessoal desse projeto, nem preciso me pronunciar muito. Deve ser fantástico para esquentar o relacionamento entre os profissionais da área. Isso facilita a comunicação para troca de idéias, descoberta de afinidades, divulgação de oportunidades de trabalho/freelas e a associação futura com grupos de outros lugares para a troca de informações.
Já do lado técnico, o que eu mais admiro é aquela coisa do "contexto" da Experiência do Usuário dentro de cada mercado, com pessoas conversando em realidades mais próximas e respeitando as particularidades locais. Tem coisas que podem até ser universais no raciocínio centrado no usuário, mas uma parte do tempero de uma boa experiência, num pensamento rápido e improvisado aqui, deve ter relação com os aspectos culturais de cada região. O que mais cansei de ver em listas é fulano "soltando regras" que funcionam em apenas em seu mercado e que não necessariamente se aplicavam a minha realidade e a dos meus usuários.
Tudo isso também fora o fato do conhecimento que temos de um montão de profissionais excelentes que não mantém blogs nem participam de listas talvez porque tudo seja muito frio. A impossibilidade de encontros físicos em listas de alcance nacional pode intimidar os que não tenham muita capacidade de se fazerem simpáticos, polidos, controversos ou interessantes no digimundo e na blogosfera. Esse é um problema que talvez possa ser resolvido no tete-à-tete, dentro de projetos como o UXrecife.
Enfim, são só teorias sem embasamento essa parte aí das elocubrações pessoais dos últimos dois parágrafos. Voltando ao foco do post, espero que as pessoas em outros mercados mirem-se no exemplo de Recife e se organizem. Aqui em Brasília,
já estamos dando os primeiros passos =).
Depois da
viajada no texto anterior, acabei tendo contato com algumas visões interessantes - convergentes ou divergentes - sobre nosso trabalho em Experiência do Usuário. Enumerarei algumas delas aqui:
1) Visão do GAEL/ISTMeu estimado colega de Portugal, Gustavo Pimenta, comentou sobre a visão do Gabinete de Apoio à Produção de Conteúdos Multimédia e eLearning, no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Essa exposição aconteceu na lista de discussão portuguesa
REPUX, que tem como tema principal a Experiência do Usuário e conta também com alguns colegas brasileiros. Segundo contou Gustavo:
"No GAEL/IST entendemos o user research como sendo algo necessariamente plural e não ortodoxo. Plural porque reduzir o user research a uma única técnica aplicável a qualquer tipo de problema conduz invariavelmente a uma sobrevalorização da técnica em relação ao problema. Não ortodoxo porque defendemos que as técnicas metodológicas não devem ser herméticas, mas sim ser aplicadas de
forma crítica e criativa."O que mais me chocou na passagem acima foi que o pessoal do GAEL/IST resumiu em um parágrafo o que eu
levei um texto inteiro para tentar dizer. Talvez um dia eu consiga ser um pouco mais objetivo, até porque isso é muito mais
user friendly do que ficar escrevendo nesse meu estilo
Pero Vaz de Caminha.
2) Visão de Dan Saffer onde Pesquisa é Método, e não MetodologiaMeu brother
Moisés Ribeiro mandou
esse presente para mim via
del.icio.us. Nesse excelente texto, Saffer dá um tapa em alguns pontos da
minha visão: Para ele, nem sempre é conveniente fazer design baseado em pesquisa. Muitas vezes, profissionais experientes podem resolver o problema. É possível fazer projetos que os usuários gostem sem necessariamente fazer pesquisa. Então ele oferece
sete razões onde você deve usar o chamado User Research, como dizem os gringos.
De alguma forma, Saffer acaba combatendo essa coisa de cristalização da usabilidade e transformação de tudo em metodologia, processos e técnicas em caixinha, o que vai de encontro a minha visão e também com a visão do pessoal do GAEL/IST. No final das contas, tá todo mundo indo pelo viés humanista, e isso ao meu ver é uma coisa muito positiva.
Fico por aqui hoje de maneira mais simples, sugerindo inscrição na
REPUX e a leitura da
visão do Saffer. Abraços e até breve!