Multiplexado

Reflexões de um humanista no mundo da produção de propaganda interativa. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
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Terça-feira, Junho 24, 2008

 

Sobre desenvolvimento de trabalhos altamente interativos e o profissional de front-end


Hoje eu tava lendo alguns tópicos do Radinho e escrevi uma mensagem para um cara que eu admiro muito, o Rodrigo Ratan, que é participante ativo da lista e manja muito de Silverlight.

Nessa mensagem eu falava sobre um antigo incômodo, que foi tema de papos com amigos tipo o Marco Gomes na época que trabalhavamos juntos. Fala da subvalorização do profissional de front-end (seja Flash, Silverlight, XHTML+CSS, Javascript ou o que for). Esse pessoal hoje faz a parte mais difícil e tecnicamente avançada do trabalho de produção, e as vezes a sua hora dentro do modelo de cobrança das agências não correspondem a qualificação técnica exigida para o sujeito poder trabalhar bem.

Esse para mim é um pilar que permitirá profissionalizar mais ainda o mercado de produção de propaganda interativa. Então, se você tem perfil técnico, por favor, leia com atenção e me ajude a batalhar para reverter essa leitura do mercado =).

Segue o tópico, endereçado ao Ratan:

Gostaria de revelar uma coisa que me incomoda há muito tempo e não tem relação com Flash ou Silverlight, mas sim com uma visão enraizada no mercado: o fato das atividades de backend (serviços, bancos de dados, etc), serem sobrevalorizadas em relação as de frontend (parte client-side da aplicação).

Caso clássico do game que você colocou: Um bom game em Flash ou Silveright exigirá dos programadores da parte de frontend pelo menos bons conhecimentos de física, noções de gameplay, de fun-factor, boa experiência como jogador, noções de animação e integração de gráficos, noções de 3D, Isometria, aplicação de vídeos, tem que ter noção de Inteligência Artificial, saber cuidar de sound libraries, noções de performance, otimização de código, cuidar de memory leaks no cliente, cuidar de problemas com dispositivos específicos, abstração absurda para lidar com complexidade de código, modularização, controle de carga do game, cuidar do peso em kb do game, efetuar testes em um bom espectro de máquinas e condições de acesso, etc, etc, etc.

E a parte de servidor (banco de dados), o cara põe um serviço num servidorzão, implementa lá a persistência do game e acabou por aí, com uma leve exceção no caso de games multiplayer, que exigem serviços síncronos e que adicionam complexidade tanto no back quanto no frontend. Cá entre nós: tu que curte .NET sabe que o próprio .NET tem recursos que matam toda eventual complexidade desse tipo de trabalho, exigindo apenas que você faça uma boa modelagem (coisa que se aprende em qualquer faculdade de computação tradicional).

Então eu acho que a carência de "programadores de verdade" está muito mais na parte gráfica e interativa, que vai para o browser rodar em qualquer plugin, do que na parte de backend e de persistencia de dados. Assim como quase tudo na TI tradicional, backend é bem commodity. Não concordo quando se sobrevaloriza isso. Deveria se valorizar um bom enlace disso =).

É um problema absolutamente "trans-plataforma" esse: e não se trata de questão de "ego" dos profissionais, mas sim tem relação com possibilidades de carreira e valor de hora-homem do sujeito - essa grande doença que assola as agências interativas, que não sabem cobrar de outro jeito e talvez por isso não consigam bancar bons salários para as pessoas.

De uma forma ou de outra, o teto do salário de quem faz frontend em Flash ou Silverlight vai ser definido pela hora-homem padrão do mercado para essa atividade. O que colocaria no mesmo balaio o "Flasheiro Gateiro" que você citou com uma outra gama de grandes desenvolvedores client-side como o Zeh Fernando (já falado na thread) ou o Malungo, Teta, Cauê e Dias (Colmeia), Debert, Laet e Neto Leal (Gringo). Esses caras tão voando em céu de brigadeiro talvez porque saíram da prisão da hora-homem e podem exercer seu talento dentro de grupos que executam a ponta de todas essas disciplinas.

Ou será que eu tô viajando e não tem nada a ver? Essa é apenas a minha hipótese. =)


E vocês, o que acham? Por favor, comentem. E se concordam, ajudem! =)

Comentários:
Como já conversamos pessoalmente, não sei se há solução a curto-prazo pra este problema da subvalorização.

O profissional que faz client-side de maneira decente, limpa, eficiente, não tem o glamour e as "certificações" dos Javeiros e .Neteiros das fábricas, e os salários têm uma diferença absurda.

Assim como os outros desenvolvedores citados no post, eu "dei um jeito" de ser reconhecido saindo das "migalhas" que o mercado nos dá, mas são casos isolados, precisamos brigar pra que o profissional de front-end seja tão valorizado quanto merece, já que lidar com o IE 6 é coisa pra herói de guerra!
 
Como um dito Javeiro e adorador secreto do front-end :-) . Acredito que essa subvalorização do "Fronter" pode também ser atríbuida as espectativas que o próprio usuário final tinha em relação as aplicações e serviços on-line em geral. Sou do tempo que fazer "Ajax" (Antes do nome) em IFRAME era coisa de maluco. Acredito que fora os gamers que estão acostumados com Gráficos avançados, coisas como Flex e Silverlight ainda estão sendo considerados Vanguarda (Apesar de não serem), com o aumento do nível de exigência e das espectativas do usuário , o cara do backend não vai conseguir suprir essa lacuna com Forms burros, isso vai exigir que os profissionais front end tomem o mercado.
 
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