Multiplexado

Reflexões de um tecnólogo humanista no mundo da produção de conteúdo e propaganda interativos. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
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Sábado, Abril 04, 2009

 

"Planejamento de Produção" versus "Planejamento de Comunicação" - uma diferenciação necessária e complementar


Ultimamente tenho usado o termo "Planejamento de Produção" ao invés de simplesmente "planejamento" para referenciar as atividades que se relacionam com o arranjo produtivo de um projeto.

O intuito é para diferenciar a parte de produção (que também exige um planejamento interno em grandes projetos) da disciplina de "Planejamento Publicitário/Planejamento de Comunicação", normalmente presente em Agências (deixamos um pouquinho de fora o Planejamento Estratégico, dado que esse blog conversa prioritariamente com o mercado de propaganda).

Planejamento de Estratégia/Comunicação e lidar com inteligência corporativa é uma coisa que todo mundo acha que sabe fazer. Mas eu gosto de trabalhar o lado pedreiro da coisa, sei que não tenho competência o suficiente em inteligência =P e fui cuidar de "Planejamento de Produção", que é o que trabalho de maneira mais proficiente. O Planejamento de Produção é absolutamente complementar ao de Comunicação porque complementa e instrumentaliza o que foi concebido nas etapas estratégicas de um grande projeto.

Planejamento de Comunicação/PublicitárioPlanejamento de Produção
  • Estratégia e inteligência
  • Arranjo produtivo para execução
  • Início do projeto
  • Etapa produtiva do projeto
  • O que fazer?
  • Como fazer?
  • Junto ao cliente
  • Junto a parceiros de produção
  • Ênfase em descoberta e desenho de ações
  • Ênfase em instrumentalização de ações
  • Melhor executado em Agências
  • Melhor executado em Produtoras
  • Posterior acompanhamento
  • Posterior sustentação e suporte
  • Posterior análise de métricas e medições
  • Posterior otimização e evolução
*Concorde, discorde, comente e me ajude a completar essa tabela.

Paradigma contemporâneo de produção de propaganda e conteúdo interativo

Na visão mais atual da produção de interatividade, as agências passam a ser pólos de Planejamento e Criação. Estabelecem enlace por projeto com produtoras para atividades especializadas, de acordo com o tipo do projeto. Nesse "pool", entram produtoras de áudio, vídeo, tecnologia e inovação, 3D/Assets/CGI, pós-produção, etc.

Em tempos mais remotos, a produção interna das agências aguentava o tranco de produção. As entregas básicas seriam "banners" e peças de campanha, hotsites "slideshow" (para aqueles hotsites que mais parecem apresentações em PPT por falta de interatividade), sites e outros produtos simples. O arranjo redator + diretor de arte + interface/montador/animador + cara da tecnologia resolvia 90% dos problemas. E fomos reconhecidos internacionamente por fazer muito bem isso para as idéias da época.

Na realidade globalizada e competitiva, uma grande idéia que não for bem produzida e sustentada perderá força e poderá não alcançar os resultados desejados.

É muito difícil "inchar" a produção das agências para absorver a quantidade de disciplinas necessárias para que se tenha um "repertório" interessante de soluções, principalmente na realidade econômica atual. Só é viável manter internamente o profissional que tiver uma recorrência de trabalhos que justifique o que a empresa investe nele do ponto de vista salarial.

E a produção nas agências, principalmente as digitais, está oprimida pelo raciocínio HORA/HOMEM e pelos insuportáveis timesheets e mecanismos de controle de projetos. Eu já estive nessa realidade de opressão, e produzir com o rabo preso é uma merda.

Em produtoras, os profissionais mais especializados ficam disponíveis para um pool maior de agências, o que resolve um problema econômico com implicações tão intricadas que daria um outro texto e que não vou comentar agora.

Algumas agências como a Gringo possuem investimentos maiores em produção interna e conseguem ótimos resultados técnicos. Mas isso faz parte de uma estratégia de diferenciação que elas possuem, com um alto investimento em excelência técnica e times mais enxutos com muita gente boa e altíssimo grau de comunicação direta. E eles não nóiam com "timesheet" como se fossem fábrica de software.

Não acredito (e espero estar errado) que seja possível implementar isso que a Gringo está fazendo em estruturas maiores sem perder a "pegada". O que eu vejo de mais comum são algumas agências renomadas tentando dar murro em ponta de faca montando grandes equipes para alocação interna, grandes disputas internas por pessoas e recursos, grandes demissões quando a agência perde uma conta, etc.

Em contrapartida, um outro grupo de empresas também renomadas como AgênciaClick, Almap, Salem, OgilvyInteractive, MatosGrey e Sinc (só para citar algumas e já sendo injusto com outras) estão recorrendo ao apoio de produtoras para o estabelecimento de contextos para a produção de trabalhos divisores de águas para a indústria nacional.

Na minha leitura, a retomada da liderança criativa brasileira passará necessariamente pelo enlace de grandes agências com grandes produtoras, para que possamos dar as nossas grandes idéias um grande contexto de execução e produção. Tem "grande" demais nesse período, ficou horroroso do ponto de vista de redação, mas é que eu preciso dessa ênfase nessas idéias.

Projetos matadores exigem um bom contexto de planejamento de produção

Um fenômeno interessante de observar são as fichas técnicas dos grandes trabalhos da atualidade. Estamos cada vez mais perto de times de cinema na produção interativa. Grandes projetos com abordagem transdisciplinar como o "case" ainda em andamento do Punto T-Jet no BBB 9 (AgênciaClick, Colmeia, TAXILabs, [comente se sabe de outras produtoras envolvidas]).

Estou no aguardo do vídeo de making-of do que talvez tenha sido o maior arranjo produtivo da história da produção digital brasileira UPDATE:Saiu o Making of do T-Racer, veja aqui. Já tive contato com uma prévia desse material no Quarto Almanaque de Criação que rolou aqui em Brasília, com a gravação ao-vivo do podcast 3.8 do enxame.tv. Para mais informações sobre este case, siga o link e aguarde por novidades, porque os caras disseram lá no evento que a ação ainda não acabou. É provável que eu escreva algo específico sobre a parte de produção desse projeto que infelizmente não participei (como diz o Pontual: #invejabranca) =)

Putz...

Mais uma vez pirei na batatinha e escrevi demais. Mas é normal com os assuntos que me apaixonam. Nos próximos dias voltarei com a série sobre planejamento de produção para aplicativos iPhone e mais alguma coisa sobre o tópico desse texto aqui. Muito obrigado pela paciência e pelo retorno que vocês tem dado em relação ao que venho escrevendo aqui. See ya!

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