Reflexões de um tecnólogo humanista no mundo da produção de conteúdo e propaganda interativos. Por Nandico (vulgo Fernando Aquino).
"Softwares e filmes seriam expressão de idéias, relacionamentos e comportamentos, numa cadeia de retroação que dissemina expertise, oportunidades e motivação, perpassando a equipe e o ciclo de vida do produto."
Mês passado alguém
tuitou, eu li, anotei e perdi quem me passou essa informação - um artigo brilhante da
Cooper que quebra a analogia padrão do desenvolvimento de software.
Estou há mais de dez anos ouvindo que a construção de programas de computador seria um
processo análogo à construção de uma edificação. E o artigo provoca: Fazer software
NÃO é como fazer prédio.
Cooper Journal: Software is a movie, not a building

(Imagem original do artigo)
Aprendemos a sempre pensar em
construção civil na hora de compararmos a
produção digital em geral. Eu mesmo sempre usava analogias como "o
wireframe é como a planta baixa do seu projeto", "o
framework é a como a fundação do teu software", "vamos primeiro reformar a fachada do teu site para depois reprojetarmos as funcionalidades internas", etc. É
inegável que qualquer cliente, por mais "leigo" que seja, entende melhor quando estabelecemos esse tipo de comparação.
Mas mesmo ao conversar com cliente "pedreiro", o autor do texto desencoraja esse pensamento sobre vários argumentos, entre eles:
- A arquitetura tradicional é linear e sequenciada. Só se entrega a obra uma vez, tal como foi planejada no começo. Já o desenvolvimento de software contemporâneo é iterativo - trabalhamos com diversas entregas intermediárias e permitimos a correção ou mudança de rumo dentro do produto sempre que houver bons motivos para isso.
- Um operário normalmente não influencia no desenho da obra tradicional, apenas executa tarefas na obra que cumprem um conjunto determinado de especificações. Em times de software em metodologias mais ágeis, o talento individual das pessoas, e a multiplicação desses talentos com a capacidade de trabalho em grupo influencia diretamente o resultado final da obra. Todos os envolvidos, inclusive os programadores, também possuem papel criativo e de produção intelectual no projeto.
- O autor questiona o modelo obsoleto de métricas da construção civil (material gasto e horas/homem trabalhadas). Pela natureza do trabalho, raciocínio HORA-HOMEM não pode funcionar bem dentro do contexto de produção digital.
Dê uma lida lá no texto. Fico por aqui, senão escrevo mais que o original. Internamente, estou exercitando o raciocínio. Me ajude a espalhar o mantra:
"Software is a movie, not a building". Valeu!